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09/03/2010
Mulheres negam preconceito, mas admitem “dificuldades” na vida política


Depois de eleitas, elas sofrem mais cobranças pela imagem do que pelo trabalho informam as mulheres da política entrevistadas na reportagem

Elas só puderam votar a partir de 1932 e ainda são minoria entre os políticos. Não acham que sofrem preconceito, mas encaram cobranças muito mais relacionadas com a imagem – roupa, cabelo, sapato e gestos – do que com o trabalho e as escolhas que fazem no cargo que ocupam. O R7 entrevistou algumas dessas mulheres que desbravaram o mundo da política e, cada uma a sua maneira, ainda lutam para provar que a imagem feminina não interfere no mandato de deputada, senadora, prefeita etc.

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) afirma que, muita vezes, as ações passam despercebidas e dão lugar a um debate sobre a imagem.

- Senti mais preconceito quando fui prefeita. Estavam [a mídia] preocupados em saber que sapato eu usava, que cabelo tinha. Se você é mulher e está sempre arrumada, [é porque] você vai sempre ao cabeleireiro. Se está desarrumada, está em depressão. Nunca está bom.

Subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS) concorda com Marta e diz que muitas vezes o fato de ser mulher abre "brechas" para questões que normalmente não são colocadas aos homens.

- Por ser mulher, não [senti preconceito]. Na verdade na Câmara [Legislativa de São Paulo, quando foi vereadora] tive uma série de outros problemas. Muito mais de jeito, a maneira de me vestir, de me expressar, as coisas que defendia. O fato de ser mulher vira um bom pretexto para os golpes baixos.

Soninha afirma que, muitas vezes, as mulheres sofrem com brincadeiras e ofensas no meio político.

- Abre margem pra um determinado tipo de sacanagem, brincadeirinhas, ofensas, que não teria se eu fosse homem. Se for a Marta vão dizer que é perua, o jeito que ela se veste não tem nada a ver como ela é como prefeita. Dificilmente alguém fala de como um homem se veste, e tem homens muito vaidosos.

A deputada federal Cida Diogo (PT-RJ) concorda que as mulheres são vítimas de "chacotas" entre os políticos.

- Todas as mulheres da bancada feminina vivenciam, em rodinhas fechadas, parlamentares fazendo piadinhas.

Pivô de uma discussão com o deputado federal Clodovil Hernandez em 2007, quando Clodovil a chamou de "feia" e provocou um bate-boca, a deputada afirma que nunca foi alvo de preconceito, mas diz que as mulheres não são respeitadas como deveriam.

- Pessoalmente não houve [preconceito], o que houve sempre foram atitudes desrespeitando as mulheres de forma geral, não apenas a mim. Mas desmoralizando a mulher, considerando a mulher como se fosse objeto, desconsiderando o potencial intelectual da mulher, profissional.

Marta, que foi casada com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), conta que não sentiu dificuldades no início de sua carreira política, já que era apresentadora de televisão. Para ela, é preciso ser firme para conseguir seguir na "profissão".

- Você precisa ser duplamente firme. Se não for firme, fazem picadinho de você.

Escrito por Mônica Aquino, do R7         

 




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