28/05/2026
por Francisco Alano, presidente da FECESC Além do Capital: Como a precariedade, a informalidade e a exaustão impulsionam a urgência da campanha por uma vida com mais dignidade, descanso e lazer 1. Antes de adentrar no debate e considerações sobre as lutas atuais por salário justo e jornada mais humana de trabalho, vamos fazer um resgate bíblico, histórico e legal da jornada de trabalho de 8 horas diárias, do limite legal de 24 horas por dia e da divisão das 24 horas diárias em 3 períodos de 8 horas. Segundo relatos bíblicos constantes do Antigo testamento, Deus criou o mundo, o homem e a mulher num período de sete dias, sendo seis dias de trabalho e o sétimo de descanso. Assim se estabeleceu pelos relatos bíblicos, a criação da jornada semanal de trabalho de 7 dias. Ainda segundo a Bíblia, por um deslize comportamental de Adão e Eva, Deus os expulsou do paraíso e determinou que passassem a ganhar o seu sustento através do esforço de cada dia. Estava desta forma estabelecido a existência do trabalho humano. Verdade ou não, mito ou lenda, o certo é que bilhões de pessoas de inúmeras religiões no mundo todo, acreditam na teoria do criacionismo e portanto, que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. A discussão do ciclo diário de 24 horas, começou com os egípcios há cerca de 2.400 anos antes de Cristo, observando o movimento das sombras pela projeção do sol e pelo movimento das estrelas. Fracionaram o período de luz e o período de trevas em 12 espaços cada, com uma 1 hora por cada um destes espaços. A humanidade cresceu, seja pelo evolucionismo ou pelo criacionismo e passou a ocupar inúmeras regiões no mundo, criando pelas mais diversas formas, condições para sobreviver e acumular riquezas. A mais conhecida forma de enriquecimento da humanidade foi o da exploração do homem pelo homem. Milhões foram escravizados, outros milhões passaram, na condição de servos, a ser explorados pelos senhores feudais. Com o início da revolução industrial, o capitalismo passou a exercer outras formas degradante de exploração, exigindo trabalho de até 16 horas diárias de homens, mulheres e até de crianças de 8 anos de idade. Inevitavelmente, os trabalhadores tiveram que se organizar para buscar direitos para sobreviverem minimamente com um pouco de dignidade. Para minorar o sofrimento das longas jornadas de trabalho, os trabalhadores passaram a construir propostas de períodos de trabalho, períodos de descanso e períodos de lazer. Este debate passou a evoluir, quando o industrial reformista Robert Owen, do país de Galês, criou o Slogan “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso”. A Organização Internacional do Trabalho oficializou esse limite, padronizando para...20/03/2026
As distorções do debate empresarial contra o fim da escala 6×1 Nos últimos meses, a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 – seis dias de trabalho para apenas um de descanso – ganhou força no debate nacional. A reivindicação nasce de uma realidade evidente: milhões de trabalhadores brasileiros vivem submetidos a jornadas extenuantes que comprometem sua saúde, sua vida familiar e sua qualidade de vida. Em Santa Catarina não é diferente, apenas no comércio do estado, em torno de 90% dos trabalhadores do setor estão na escala 6×1. Assim, aproximadamente 368 mil trabalhadores do comércio catarinense clamam pela redução da jornada de trabalho e pelo aumento da vida além do trabalho. Diante dessa mobilização crescente da classe trabalhadora, setores empresariais passaram a reagir com estudos que distorcem o debate sobre os efeitos dessa mudança da jornada de trabalho. Uma das recentes distorções veio de um relatório divulgado pela Fecomércio de Santa Catarina, segundo o qual o fim da escala 6×1 poderia eliminar até 27 mil empregos no estado. A conclusão ganhou manchetes e foi apresentada como se fosse resultado de uma análise técnica rigorosa. Mas uma leitura atenta do próprio relatório mostra algo bem diferente: o estudo é repleto de premissas frágeis, escolhas metodológicas aleatórias e omissões que distorcem o debate público em favor das elites econômicas do nosso estado e país. O aumento de custos foi artificialmente inflado O ponto de partida do relatório da Fecomércio é afirmar que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais elevaria o custo da hora trabalhada em setores como comércio e serviços. Isso é verdade do ponto de vista contábil: se o salário mensal permanece igual e a jornada diminui, o custo por hora aumenta. O problema é que o estudo se limita a calcular apenas esse indicador, ignorando a composição real dos custos das empresas. No comércio brasileiro, por exemplo, despesas com trabalho representam menos de 20% dos custos operacionais totais. Quando se considera o conjunto dos custos – incluindo aluguel, energia, transporte, insumos e mercadorias – o impacto real da redução da jornada seria muito menor. Um aumento médio de 9,4% no custo da hora trabalhada no comércio significaria algo próximo de 1% de aumento no custo total do setor. Em outras palavras: o relatório destaca um número isolado e o apresenta como se fosse o impacto econômico completo. A estimativa de demissões foi construída sobre um número aleatório A parte mais alarmista do estudo é a previsão de destruição de empregos. Para chegar a esse resultado, o relatório supõe que cada aumento de 1% no custo do trabalho levaria a uma queda de 0,3% no emprego. O problema é simples: não existe qualquer...19/02/2026
Lojas, mercados, farmácias e até hotéis de luxo já estão mudando a escala de trabalho de 6×1 pra 5×2, dando mais um dia de folga por semana pros funcionários, enquanto o Congresso ainda discute a mudança. Exemplos como o Copacabana Palace, as redes Pague Menos, Drogarias Pacheco, Drogaria São Paulo e a H&M já adotaram o novo modelo. Especialistas dizem que a tendência é nacional, pois a rotina exaustiva afasta trabalhadores e aumenta a rotatividade. Propostas pra reduzir a jornada estão em debate no Senado e na Câmara, e o governo federal já declarou apoio ao fim da escala 6×1. A mudança não é só uma questão de conforto, mas de saúde física e mental, qualidade de vida e produtividade. A escala 6×1 impõe jornadas longas, pouco tempo de descanso e quase nenhuma convivência familiar, afetando principalmente mulheres e trabalhadores do comércio e serviços. Onde o modelo 5×2 já foi implantado, empresas relatam maior engajamento, menos faltas e equipes mais estáveis. Se o setor privado já começa a reconhecer que trabalhador descansado produz mais e melhor, é hora de transformar essa realidade em regra, garantindo por lei um direito básico: tempo para viver além do trabalho. Fonte: UOL...




