Brasil descobre o pré-sal da água em plena Amazônia
27/04/2015
Restrito até agora quase exclusivamente a publicações especializadas ou veículos da comunidade científica, o Sistema Aquífero Grande Amazônia é uma descoberta recente que confirma o Brasil como o paraíso da água doce no planeta Terra. São 162,5 mil km3 de água doce subterrâneos, espalhados entre a Ilha de Marajó e o Acre. É três vezes e meia maior que o aquífero Guarani, que com seus 45 mil km3 era considerado o maior do mundo. Até que em julho do ano passado, após o encerramento da 66ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), pesquisadores das universidades federais do Pará e do Ceará anunciaram a descoberta. “É o pré-sal da água”, comentou o professor e pesquisador Luiz Roberto Santos Moraes, durante debates do seminário “Desafios e Perspectivas para a Gestão das Águas”, realizado nestas quinta e sexta-feiras em Maceió (AL), por iniciativa da CUT Nacional, com apoio do Solidarity Center da federação trabalhista estadunidense AFL-CIO. O desafio, diante de descoberta de tal monta, é tirar do papel e aplicar de fato a Política Nacional de Recursos Hídricos (conheça a lei 9433/97), como primeira medida para a preservação e bom uso dessa riqueza, adverte Moraes. E estar preparados para impedir o avanço de grupos estrangeiros sobre esse manancial. Esponja O aquífero, que já ganhou a sigla SAGA, é do tipo que preenche as porosidades das rochas, a exemplo de uma esponja. Para compreender a dimensão desse manancial, vale o exemplo citado por outro estudioso que participou do seminário, Egon Krakheche, assessor da Agência Nacional das Águas (ANA). “Se pensarmos o aquífero Guarani, bem menor que o SAGA, como uma esponja, poderíamos espremê-la e isso resultaria numa piscina do tamanho do Brasil, com cinco metros de profundidade”. Antes mesmo da descoberta, o Brasil já figurava, como é de conhecimento público, como uma reserva líquida preciosa. Das águas doces superficiais do planeta, 12% estão no Brasil. Um dos problemas é a distribuição geográfica dessas águas. No Brasil, dividido em 12 regiões hidrográficas, onde há muita densidade populacional, como Sudeste e Sul, há pouca água e, em muitos casos, de pouca qualidade, em especial pelo mau uso histórico. E o líquido abunda onde há pouca gente. Como o SAGA poderá ser utilizado para suprir as necessidades da população ainda é incerto, dado o estágio inicial das pesquisas. O SAGA está onde antigamente se imaginava haver apenas o Aquífero Alter do Chão, muito menor. Proteção das matas Já se sabe que a recente descoberta tem papel fundamental na produção de chuvas para outras regiões do País, através do fenômeno conhecido como evapotranspiração. Portanto, a proteção da mata que cobre...




