02/02/2011
Oito discursos ou entrevistas, quatro cidades visitadas, uma viagem internacional, uma reunião ministerial, 24 conversas com ministros, dois governadores recebidos no Palácio do Planalto. Uma análise da agenda presidencial dos primeiros trinta dias aumenta a impressão de uma chefe de Estado com estilo discreto e uma grande preocupação com a articulação política. Via de regra, é normal que um novo presidente passe as primeiras semanas de governo promovendo articulações com partidos da base aliada, indicando prioridades e analisando em que situação recebe o controle do país. A deputada federal eleita Benedita da Silva (PT-SP) acredita que o recolhimento de Dilma, com poucas aparições públicas, diz respeito à discussão sobre nomeações para cargos de escalões inferiores e à necessidade de mostrar aos ministros como se deseja que funcione o governo. “Precisa de bastante atenção para azeitar a máquina e, então, pode colocar a cara mesmo. Está fazendo direitinho.”Valeriano Mendes Ferreira Costa, professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entende que, apesar dessa necessidade de articulação, já se pode notar a formação do estilo de governar de Dilma. “A impressão é que vai ser mais restrita, uma agenda mais fechada no âmbito da gestão, com muita reunião e acompanhamento”, assinala.As prioridades escolhidas pelo governo e a divisão dos ministros em núcleos que terão de corresponder a metas reforçam a imagem de gestora da presidente. À frente da Casa Civil, ela ficou conhecida como gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Agora, elegeu o corte de gastos como fundamental para iniciar o governo e, para isso, trabalhou para estreitar a relação entre os ministros da área econômica. Guido Mantega, da Fazenda, e Miriam Belchior, do Planejamento, foram os que mais vezes se reuniram com Dilma: quatro cada um, de acordo com a agenda oficial divulgada pela Presidência. A meta é cortar gastos e reforçar a toda a equipe ministerial a necessidade de realizar mais usando menos dinheiro.Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, minimiza a importância dos estilos de governar, afirmando que “todo mundo tem diferença de todo mundo” e que o importante é o bom funcionamento da máquina pública. “Dilma substituiu o presidente Lula e não deixou nenhum ponto a desejar. Não tem perda de qualidade do governo e não tem perda de qualidade das decisões.” Comparações – Convidado a opinar sobre o estilo discreto de Dilma, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concordou que o mais importante é que o governo funcione. Mas, por sua vez, não perdeu a oportunidade de alfinetar seu sucessor: “Não tenho que ouvir o Lula todo dia na televisão. Já é alguma coisa. É cedo para julgar, mas acho que o estilo é mais tecnocrático, mais discreto, menos de showman exagerado.”Deixando de...