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Fracassomaníacos

21/10/2009
A invenção se deve às ironias com que FHC tentava desqualificar o debate. Conhecedor que era, se dedicou a essa prática, alimentada pelo despeito, o rancor e a inveja de ver seu sucessor se dar muito melhor do que ele. E os tucanos se tornaram os arautos da fracassomania, porque o governo Lula não poderia dar certo. Senão, seria a prova da incompetência, dos que se julgavam o mais competentes. Lula fracassaria porque não contaria com a expertise (expressão bem tucana) de gente como Pedro Malan, Celso Lafer, Paulo Renato, José Serra, os irmãos Mendonça de Barros, entre tantos outros tucanos. O governo Lula não poderia dar certo, senão a pessoa mais qualificada para dirigir o Brasil – na ótica tucana -, FHC se mostraria muito menos capaz que um operário nordestino. Por isso o governo Lula teria que fracassar economicamente, com a inflação descontrolada, a fuga de capitais estrangeiros, o “risco Brasil” despencando, a estagnação herdada de FHC prolongada e aprofundada, o descontentamento social se alastrando, as divergências internas ao PT dividindo profundamente ao partido, o governo se isolando social e politicamente no plano interno, além do plano internacional. A imprensa se encarregou de propagar o fracasso do governo Lula. Ricardo Noblat, apresentando o livro de uma jornalista global, afirmava expressamente, de forma coerente com o livreco de ocasião, que “o governo Lula acabou” (sic). A crise de 2005 do governo era seu funeral, os urubus da mídia privada salivavam na expectativa de voltarem a eleger um dos seus para se reapropriarem do Estado brasileiro. FHC gritava, no ultimo comício do candidato do seu partido, que havia relegado seu governo, com a camisa para fora da calça, suado, desesperado, “Lula, você morreu”, refletindo seus desejos, em contraposição com a realidade, que viu Lula se reeleger, sob o cadáver político e moral de FHC. Um jornalista da empresa da Avenida Barão de Limeira relatava o desespero do seu patrão, golpeando a mesa, enquanto dava voltas em torno dela, dizendo: “Onde foi que nós erramos, onde foi que nós erramos?”, depois de acreditar que a gigantesca operação de mídia montada a partir de uma entrevista a um escroque que o jornal tinha feito, tinha derrubado ao governo Lula. Ter que conviver com o sucesso popular, econômico, social e internacional do governo Lula é insuportável para os fracassomaníacos. Usam todo o tempo de rádio, televisão e internet, todo o espaço de jornal para atacar o governo, e só conseguem 5% de rejeição ao governo, com 80% de apoio. Um resultado penoso, qualquer gerente eficiente mandaria a todos os empregados das empresas midiáticas embora, por baixíssima produtividade. Como disse, desesperadamente, FHC a Aécio, tentando culpá-lo por uma nova derrota no ano que...

Rio 2016: A política no centro da vitória brasileira

13/10/2009
 Engana-se quem pensa que a escolha do Rio de Janeiro para sediar as olimpíadas de 2016 tenha obedecido a critérios meramente “técnicos”; seja na área dos transportes, infra-estrutura, logística, setor hoteleiro etc. Pude constatar que a escolha de um país para sediar os Jogos Olímpicos é uma decisão principalmente política. Trata-se da definição de um grande evento econômico e esportivo internacional, permeada por relações políticas e diplomáticas, que expressam um pedaço do cenário geopolítico mundial. A vitória do Brasil, além do esforço de autoridades desportivas e personalidades do esporte nacional, foi fruto do prestígio internacional do Presidente Lula e do sucesso de seu governo. A delegação brasileira que vivenciou a emoção da escolha do Rio em Copenhague era, de longe, a mais vibrante e articulada. O excelente trabalho de preparação, liderado pelo Ministro do Esporte, Orlando Silva, foi coroado pelo brilhante desempenho da comitiva brasileira, tendo à frente o Presidente Lula. Este desempenho foi decisivo para o convencimento dos “eleitores” indecisos nos momentos finais da escolha. A presença do Presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, reforçou a impressão já consolidada de que o Brasil foi um dos países mais bem sucedidos no enfrentamento à crise econômica. A expectativa de o país se tornar a quinta economia do mundo na próxima década serviu para soldar a confiança nas instituições do país. O tema da segurança foi rapidamente superado, a partir da exposição consistente de uma estratégia, já testada, de segurança em grandes eventos e, também, em função do compromisso do governo federal com a consolidação das diretrizes do Pronasci. A firmeza do governador Sergio Cabral quanto ao aprofundamento das experiências de policiamento comunitário no Rio deslocou, rapidamente, o tema da segurança para um patamar secundário. O equilíbrio institucional entre as três esferas de governo e a unidade político-administrativa dos entes federados foi um trunfo inestimável. Mais uma vez, atestamos o quanto fez bem ao Rio de Janeiro a superação da antiga visão paroquial, que afastou o Rio dos grandes temas nacionais por tantos anos. O Rio de Janeiro, mais do que nunca, demonstrou a força de seu reposicionamento na Federação e novas perspectivas se abrem agora para a retomada do Rio como ator decisivo para a consolidação da República e da democracia em nosso país. Foram decisivas a altivez da política externa do Brasil, a solidez de nossa economia, o papel de liderança regional e a consistência de nossas instituições democráticas. A política presidiu a vitória brasileira. E não se trata aqui de pretender angariar algum dividendo eleitoral com esta afirmação. Certamente, não será este fato o que decidirá as eleições presidenciais de 2010. Até por que todas as correntes políticas e ideológicas apoiaram a candidatura do Rio....

Cúpula de Pittsburgh: temos motivos para comemorar?

23/09/2009
A Cúpula de Pittsburgh se realiza nos próximos dias sob um signo otimista, que não esconde preocupações. Há um ano, diante da dramática recessão que se alastrava mundo afora, muitos não hesitaram em antever a repetição da crise de 1929. Graças a medidas acordadas na Cúpula do G-20 em Londres, em abril, conteve-se a pior ameaça à economia global em décadas. Depois de ter caído 9%, o comércio global já vem reagindo, graças aos US$ 250 bilhões injetados por meio de créditos flexíveis e sem condicionalidades. Quase 50 milhões de empregos serão perdidos em 2009, mas já há sinais de estabilização. Foram US$ 750 bilhões para estimular a demanda e estabilizar as contas externas de países, sobretudo em desenvolvimento, atingidos pela queda brusca do comércio e do crédito externos. Mais importante do que a escala sem precedente de recursos mobilizados foi a demonstração ágil e decidida de vontade coletiva. Devolveu-se, em parte, a confiança necessária para que a economia funcione neste momento de grande incerteza e turbulência. A comunidade internacional esteve à beira do abismo, mas soube reagir. Devemos comemorar por termos evitado o pior? Devemos simplesmente esperar a próxima crise? Afinal, caiu por terra a ilusão de que os mercados são autorreguláveis e de que a ganância financeira faz parte da lógica econômica. Mas os países que não partilhavam essas ilusões sobre o ganho fácil tampouco foram poupados pelos efeitos da crise. Ao se reunir, pela primeira vez, em Washington, em novembro de 2008, os líderes do G-20, ainda que não tenham dado respostas mais abrangentes, não se deixaram embalar pela inércia ou pelo fatalismo. Sabiam que a crise espelha desequilíbrios estruturais, que vão além de excessos de natureza financeira. As mudanças climáticas e a crescente competição global por energia e mercados confirmam de forma dramática o que já sabíamos: a globalização nos tornou cada vez mais dependentes uns dos outros. O Brasil tomou a dianteira, ainda no ano passado, ao defender a consolidação do G-20 como um foro de líderes, para introduzir racionalidade no tratamento da crise. Era chegada a hora de demonstrar vontade política, de empreender transformações profundas. Por isso nos preocupa a relutância dos países desenvolvidos em avançar na agenda de reforma das instituições de Bretton Woods. Há enormes resistências em regular os mercados financeiros. Bancos repetem práticas que precipitaram o caos recente. Banqueiros continuam sendo fartamente remunerados, enquanto milhões de homens e mulheres perdem seus empregos. Tampouco compreendemos a resistência dos países industrializados em assumir sua parte no combate ao aquecimento global. Eles não podem delegar aos países em desenvolvimento responsabilidades que lhes são exclusivas. São inadmissíveis os sinais de recaídas protecionistas e a paralisia da Rodada Doha, quando sabemos que sua conclusão contribuiria...

Vamos acertar o ponto. 40 horas já!

21/09/2009
O grande desenvolvimento da ciência e do pensamento da humanidade acelerou o tempo das transformações tecnológicas. O mundo nunca viu tantas evoluções, tantas transformações, como hoje se vê. O ser humano parece invencível, chegou à Lua, codificou o Genoma, navegou todos os mares e o ultrapassou a velocidade do som. A automação tem sido um grande fator do aumento da produtividade e se impôs como norma para o desenvolvimento das indústrias. Há empresas em que o departamento de pesquisa e desenvolvimento tem orçamentos maiores que a produção. Como efeito, ao longo dos anos, o investimento em inovação tecnológica e organizacional tem como um dos seus resultados a liberação do tempo de trabalho. E como esse ganho de tempo é dividido em nossa sociedade? Do lado dos trabalhadores sabemos: com o desemprego de uns e a sobrecarga de trabalho de outros. Desde 1998 até o ano de 2008 a produtividade do trabalho cresceu cerca de 80% e esse ganho não foi repartido com os trabalhadores ou com a sociedade. E por outro lado, apesar do crescimento da Taxa de Ocupados durante o governo Lula, ainda há um contingente de 3,29 milhões de desempregados (PED/DIEESE). A Confederação Nacional dos Metalúrgicos e a Central Única dos Trabalhadores defendem a redução da jornada como uma grande estratégia de distribuição de renda, de aumento dos postos de trabalho e da elevação da qualidade de vida para todos os brasileiros. É uma forma de gerar desenvolvimento, combatendo a pobreza e a concentração de riqueza onde todos ganham, trabalhadores e empresários. Mais que isso, a redução da jornada de trabalho é uma questão de justiça social no Brasil, país que tem uma das maiores concentrações de renda do mundo. A Confederação Nacional da Indústria contabiliza que o custo médio da mão de obra para a produção é de 22%, isto quer dizer que de todos os gastos com a fabricação de um bem, pouco mais de um quinto representa os gastos com os trabalhadores. Porém, uma redução de 9,09% da jornada (de 44h para 40h) – representaria uma ampliação de apenas 1,99% do custo das empresas. Ao passo que o aumento do emprego formal representa aumento da arrecadação do Estado e aumento do mercado consumidor, pode-se dizer que este custo seria um investimento de médio e longo prazo, que retornaria em crescimento do mercado interno brasileiro. Do ponto de vista do trabalhador a redução da jornada de trabalho está longe de ser um luxo, já que ela é uma das maiores do mundo – 44h semanais ou 2.112 horas/ano. Por exemplo, na Alemanha a jornada é de 1.428 horas/ano, no Japão são 1809 horas/ano, na Itália 1619 horas/ano e na Espanha 1807 horas/ano (OCDE, 2003). Isto...

O piso salarial estadual veio em boa hora

16/09/2009
A recente aprovação do piso salarial estadual na Assembléia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), que começa a vigorar a partir de janeiro próximo, veio em boa hora. A economia brasileira em janeiro estará em franco processo de crescimento, o que já ocorre, aliás, desde o mês de abril. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,9% no segundo trimestre, frente ao primeiro trimestre deste ano, ocasião em que tinha recuado 1,2%. A recuperação do nível de atividade no segundo semestre foi puxada pela indústria, que cresceu 2,1%, o que é muito importante, visto que este foi, de longe, o setor mais atingido pela crise. Além do fato mencionado, a recuperação da economia se dá com base no mercado interno, com destaque para o consumo das famílias, que cresceu significativos 3,2% no segundo trimestre deste ano. O consumo das famílias vem sendo impulsionado pelo retorno do crédito e pelo crescimento da massa de rendimentos, que manteve um bom desempenho, mesmo nos piores momentos da crise. Em parte, este fenômeno está relacionado à normalização do crédito na economia e à própria redução da taxa de juros verificada nos últimos meses. Em agosto, segundo informações da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros para pessoa física atingiram o menor patamar verificado em toda a série histórica, iniciada em 1995. A taxa média geral para pessoa física estava em 7,08%, após a sétima redução consecutiva. Das seis linhas de crédito pesquisadas pela Anefac, apenas o cartão de crédito manteve inalterada sua taxa de juros em agosto. Além da disponibilidade do crédito e do seu gradual barateamento, o consumo das famílias vem sendo garantido também pela expansão da massa salarial. Segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-Metropolitana), calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), nos últimos 12 meses, findos em junho deste ano, verifica-se que tanto a massa de rendimentos reais dos ocupados quanto dos assalariados cresceu 1,2% e 2,1%, respectivamente. Em ambos os casos o resultado deveu-se ao crescimento do nível de ocupação do emprego, já que o rendimento médio pouco variou. Os dados do comércio, relativos a julho, por sua vez, mostram um pouco o que acontece com o mercado interno. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em julho o comércio expandiu no Brasil pelo terceiro mês seguido e, em relação a julho de 2008, as vendas no varejo ampliaram-se em 5,9%. A receita nominal de vendas no acumulado do ano até julho elevou-se em 9,8%. Em 12 meses, a alta chegou a 11,4%. Na comparação com julho de 2008, o volume de vendas cresceu em seis das oito atividades do varejo pesquisadas, com destaque para a alta de 10,1%...

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