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O fascismo ronda o Brasil em 2014

14/10/2014
Jean-Marie le Pen, líder da direita francesa, sugeriu deter o surto demográfico na África e estancar o fluxo migratório de africanos rumo à Europa enviando, àquele sofrido continente, “o senhor Ebola”, uma referência diabólica ao vírus mais perigoso que a humanidade conhece. Le Pen fez um convite ao extermínio. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy propôs a suspensão do Tratado de Schengen, que defende a livre circulação de pessoas entre trinta países europeus. Já a livre circulação do capital não encontra barreiras no mundo… E nas eleições de 25 de maio a extrema-direita europeia aumentou o número de seus representantes no Parlamento Europeu. A queda do Muro de Berlim soterrou as utopias libertárias. A esquerda europeia foi cooptada pelo neoliberalismo e, hoje, frente a crise que abate o Velho Mundo, não há nenhuma força política significativa capaz de apresentar uma saída ao capitalismo. Aqui no Brasil nenhum partido considerado progressista aponta, hoje, um futuro alternativo a esse sistema que só aprofunda, neste pequeno planeta onde nos é dado desfrutar do milagre da vida, a desigualdade social e a exclusão. Caminha-se de novo para o fascismo? Luis Britto García, escritor venezuelano, frisa que uma das características marcantes do fascismo é a estreita cumplicidade entre o grande capital e o Estado. Este só deve intervir na economia, como apregoava Margareth Thatcher, quando se trata de favorecer os mais ricos. Aliás, como fazem Obama e o FMI desde 2008, ao se desencadear a crise financeira que condena ao desemprego, atualmente, 26 milhões de europeus, a maioria jovens. O fascismo nega a luta de classes, mas atua como braço armado da elite. Prova disso foi o golpe militar de 1964 no Brasil. Sua tática consiste em aterrorizar a classe média e induzi-la a trocar a liberdade pela segurança, ansiosa por um “messias” (um exército, um Hitler, um ditador) capaz de salvá-la da ameaça. A classe média adora curtir a ilusão de que é candidata a integrar a elite embora, por enquanto, viaje na classe executiva. Porém, acredita que, em breve, passará à primeira classe… E repudia a possibilidade de viajar na classe econômica. Por isso, ela se sente sumamente incomodada ao ver os aeroportos repletos de pessoas das classes C e D, como ocorre hoje no Brasil, e não suporta esbarrar com o pessoal da periferia nos nobres corredores dos shopping-centers. Enfim, odeia se olhar no espelho… O fascismo é racista. Hitler odiava judeus, comunistas e homossexuais, e defendia a superioridade da “raça ariana”. Mussolini massacrou líbios e abissínios (etíopes), e planejou sacrificar meio milhão de eslavos “bárbaros e inferiores” em favor de cinquenta mil italianos “superiores”… O fascismo se apresenta como progressista. Mussolini, que chegou a trabalhar com Gramsci, se dizia socialista, e...

MÍDIA E ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA NOVA REPÚBLICA

22/09/2014
No Brasil a quase totalidade dos meios de comunicação é controlada por seis grupos familiares: Abravanel (SBT), Civita (Abril), Frias (Folha de S. Paulo), Marinho (Globo), Saad (Bandeirantes) e Sirotsky (Rede Brasil). As empresas de comunicação “não possuem em suas finalidades o atendimento exclusivo dos interesses da nação”, vivendo de receitas, de lucros e de interesses políticos, empresariais e ideológicos, buscando “a maximização dos lucros, em detrimento da sua antiga função militante; sua militância atual é a da livre empresa, a sociedade de mercado”. Não é novidade, por isso, “dizer que os maiores jornais, revistas e canais de tevê são parciais e defendem os interesses das elites econômicas”. De fato, parece não haver concorrência entre as maiores empresas de comunicação (Veja, Folha de S. Paulo, Globo, Estadão), que entre si repercutem seus “furos de reportagem”, sejam eles comprovados ou não, como ocorreu no episódio do vazamento de partes dos depoimentos prestados na delação premiada do ex-diretor da Petrobras. Vera Guimarães Martins, ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, chamou a atenção para a “unanimidade das manchetes” do noticiário nacional do final de semana de 7 de setembro de 2014 e da respectiva fonte. Embora ela considere normal a replicação do “furo de reportagem” pelos meios de comunicação, ressalva ser raro “que grandes escândalos sejam revelados com base apenas em fontes não identificadas, sobretudo quando envolvem acusações nominais, sujeitas a processos de injúria e difamação. E, mais raro ainda que notícia obtida nessas condições ganhe todas as manchetes”. A nosso ver, porém, nada há de raro no episódio e não é mera conspiração enxergar nele outros interesses que não a mera “convicção de que a delação de Costa” deva “detonar um escândalo de grandes proporções, com potencial para pautar a política nos próximos anos”, em relação ao qual “nenhum veículo quer ficar à margem ou parecer irrelevante”, como afirmado pela jornalista. Nas eleições presidenciais de 1994 e 1998, as grandes empresas de comunicação defendiam a eleição de Fernando Henrique Cardoso. Não tinham, por isso, interesse em dar cobertura, tendo sido banidos os debates entre presidenciáveis, “pela negativa de FHC e pela conivência da mídia”. No dizer de Antonio Albino Canelas Rubim, “como por encanto”, esse silêncio “desapareceu de modo notável”, no pleito de 2002, quando a mídia jornalística “atuou vivamente na discussão da verticalização das alianças impostas pelos tribunais eleitorais e, com maior destaque, na construção e no desmonte de (pré)candidaturas. As polêmicas acerca da aliança do PT com o PL; as idas e vindas e as indecisões da candidatura do PSB; as dificuldades da formação da Frente Trabalhista; os embates internos do PSDB entre Serra e Tasso; a dilaceração do PMDB e os problemas da pré-candidatura Itamar Franco; os...

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