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O presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio no Estado de Santa Catarina (FECESC), Francisco Alano, alertou, em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (1º), para a prática de assédio eleitoral no ambiente de trabalho e defendeu o envolvimento dos trabalhadores no processo político e eleitoral. A manifestação ocorreu após declarações do empresário Luciano Hang, durante a inauguração de uma nova loja em Goiás, em que voltou a se posicionar contra o fim da escala 6×1.

Para Alano, manifestações desse tipo, quando utilizadas para pressionar ou constranger trabalhadores em suas escolhas políticas, são “totalmente condenáveis” e podem caracterizar assédio eleitoral. O dirigente orientou os trabalhadores a não se deixarem intimidar e ressaltou que cada cidadão tem o direito de escolher livremente seus candidatos. “O trabalhador não pode se deixar constranger. O trabalhador tem que se envolver com política”, afirmou.

Segundo o presidente da FECESC, a participação política dos trabalhadores não deve se limitar à escolha do candidato à Presidência da República. Para ele, é fundamental também eleger representantes comprometidos com os interesses da classe trabalhadora no Congresso Nacional, onde são discutidas e aprovadas as leis que afetam diretamente a vida da população. “Não adianta eleger um presidente de esquerda e ter um Legislativo cheio de representantes da extrema direita. É através do Congresso, através da legislação, que conseguiremos nossas conquistas”, destacou.

Alano também defendeu que os sindicatos participem ativamente do debate político, contribuindo para a formação e conscientização dos trabalhadores. “Política não é só para empresários. Sindicato tem que fazer o debate político, sim. Tudo passa pela política”, afirmou.

Assédio eleitoral e consciência de classe

Na avaliação do dirigente, o assédio praticado contra trabalhadores durante períodos eleitorais está relacionado também à resistência de setores empresariais à organização coletiva dos trabalhadores.

Alano afirmou que, em Santa Catarina, não é possível generalizar e afirmar que os empresários sejam fascistas, mas criticou o que classificou como “práticas fascistas” presentes em determinados ambientes de trabalho, especialmente aquelas que buscam intimidar trabalhadores e enfraquecer a organização sindical. “Fascismo não admite a existência de sindicato organizado. Não admite a organização dos trabalhadores”, declarou.

Para ele, o enfrentamento desse tipo de prática passa pelo fortalecimento da consciência de classe. “Se os trabalhadores não tiverem clareza suficiente para compreender sua situação, desenvolverem consciência de classe, fica complicado”, avaliou.

Nesse sentido, Alano defendeu que os trabalhadores procurem conhecer as propostas e o histórico dos candidatos antes de votar. “Quais candidatos estão realmente comprometidos com a luta dos trabalhadores?”, questionou.

Participação nas urnas também preocupa

Durante a entrevista, o presidente da FECESC chamou atenção ainda para os índices de abstenção registrados nas últimas eleições. Segundo ele, mais de 30% dos trabalhadores não compareceram às urnas, o que representa um número significativo de eleitores que deixaram de participar diretamente da escolha de seus representantes.

Alano também destacou a importância do voto da população idosa e afirmou que as estatísticas das últimas eleições apontam para uma participação menor desse segmento. Na avaliação do dirigente, políticas públicas voltadas à terceira idade dependem diretamente das escolhas feitas nas urnas e da eleição de representantes comprometidos com essas pautas. “Os votos dos idosos podem decidir as eleições”, afirmou.

Por fim, Alano ressaltou o papel dos dirigentes sindicais como formadores de opinião e defendeu uma atuação mais efetiva das entidades na orientação dos trabalhadores durante o processo eleitoral.

Mais de 3 mil denúncias

O dirigente também mencionou os números registrados nas últimas eleições: 3.145 denúncias de assédio eleitoral foram apresentadas, segundo dados citados por ele, e diversos casos resultaram em condenações.

Para Alano, os números reforçam a necessidade de que os trabalhadores conheçam seus direitos e denunciem situações em que sejam pressionados, ameaçados ou constrangidos por empregadores ou superiores hierárquicos em razão de suas escolhas políticas.

“O voto é livre. O trabalhador tem o direito de escolher em quem votar e ninguém pode interferir nessa decisão”, reforçou o presidente da FECESC.

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