29/03/2011
O ex-vice-presidente da República e empresário José Alencar morreu há pouco, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A morte do político, que faria 80 anos em outubro, foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital. Alencar foi internado às pressas ontem (28), no início da tarde, com um quadro de obstrução intestinal. Há mais de uma década, ele lutava contra um câncer no intestino. Trajetória Na oficialização da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente, em 2002, petistas na convenção que consagrou a chapa gritavam, durante o discurso de José Alencar: "Lula sim, PL não", em referência ao fisilógico partido para o qual o empresário tinha se transferido recentemente. Oito anos depois, o ex-presidente se tornou membro honorário do PT, ganhou o respeito dos nacionalistas em geral e a admiração até de adversários políticos, em meio a sua longa batalha contra o câncer. "O partido (PT) não me aceitava, porque eu era empresário", resumiu, em entrevista ao programa de televisão Roda Viva, em 2009. "Houve um momento, numa convenção em São Paulo, quando eu fui apresentado, o Lula foi quem me apresentou, estava lá a cúpula do partido e muita gente do partido, e eu fui vaiado. Eu tinha levado um discurso, que estava no bolso. Eu tirei o discurso e falei assim: eu trouxe um discurso escrito para falar para vocês, mas diante dessa forma que me receberam, eu percebo que vocês não me conhecem, então eu vou contar alguma coisa da minha vida para vocês. Daí a pouco eles estavam aplaudindo." A aceitação só aumentou depois dos oito anos ao lado de Lula no comando do governo. E também se deve às recorrentes reclamações sobre os juros altos, em especial no primeiro mandato – um dos raros temas que o colocaram no outro lado em relação ao agora ex-presidente. "Nosso discurso de campanha não assumiu o poder", disse Alencar sobre o assunto em 2005. "Precisávamos ter feito aquela política [de redução dos juros]. Mas há ainda tempo para isso, não tempo de praticar qualquer tipo de irresponsabilidade." Em dezembro de 2010, mesmo hospitalizado, ele repetiu parte do discurso ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Sobre a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), um projeto que se insinuou mas não avançou, Alencar também se posicionou defendendo as empresas brasileiras: "Nós precisamos acordar e defender nossos laranjais. Não somos contra a Alca, mas é preciso que seja de fato uma área de livre comércio, não um arremedo de liberdade comercial". Nos bastidores, atuou para que a iniciativa só fosse adiante se todos os interesses dos empresários nacionais fossem contemplados – o que era, na prática, impossível. No Ministério da Defesa, restaurou o respeito dos militares em...