02/07/2026
A Contracs/CUT publicou uma nota de repúdio criticando a cobertura da grande mídia sobre o debate em torno do fim da escala 6×1. No texto, a Confederação denuncia o tratamento considerado parcial dado ao tema, especialmente na reportagem exibida pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, por privilegiar a visão do empresariado e minimizar a voz da classe trabalhadora. A entidade reafirma que a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários é legítima, urgente e seguirá como uma das principais bandeiras do movimento sindical. Confira a íntegra da nota: A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT, Contracs, vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à cobertura parcial realizada pela Rede Globo, por meio do Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira (1º), sobre o debate no Senado Federal a respeito da proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho sem redução de salários. Em uma pauta que atinge diretamente a vida de quase 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, a emissora optou por construir uma narrativa desequilibrada, tendenciosa e alinhada aos interesses patronais. Ao selecionar as falas exibidas na reportagem, a Globo deu amplo espaço a representantes do empresariado e do chamado setor produtivo, enquanto silenciou, esvaziou ou relegou a segundo plano a voz da classe trabalhadora, justamente a mais impactada pela escala 6×1. Não houve paridade. Não houve equilíbrio. Não houve compromisso real com a informação. Não houve responsabilidade social. A reportagem ouviu e destacou argumentos de entidades patronais que tentam transformar um direito básico, o descanso, a convivência familiar, o lazer, o estudo e a saúde, em ameaça à economia. Reproduziu, sem o devido contraponto, o discurso do medo, do aumento de custos, da informalidade e da perda de competitividade, como se a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras pudesse continuar sendo tratada apenas como despesa na planilha dos patrões. A Contracs repudia essa escolha editorial. A televisão brasileira, especialmente uma emissora com o alcance da Rede Globo, tem responsabilidade pública. Informar não é selecionar apenas as vozes que interessam ao poder econômico. Informar não é apresentar a visão patronal como se fosse a verdade técnica e esconder a realidade de quem trabalha seis dias por semana, muitas vezes com salários baixos, jornadas exaustivas, adoecimento, pouco descanso e quase nenhum tempo para viver. A postura da Globo não é nova. Historicamente, a emissora tem usado sua força de comunicação para influenciar a opinião pública em momentos decisivos da vida nacional, quase sempre contra os interesses da classe trabalhadora. Mais uma vez, diante de uma pauta popular, justa e urgente, escolheu o lado dos que podem financiar – pagando bem – o discurso. Infelizmente,...30/06/2026
Uma nova regulamentação sobre o trabalho nos feriados está prestes a ser assinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A proposta foi construída em um Grupo de Trabalho que reuniu representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo, resultado de um processo de negociação e diálogo entre as partes. A principal mudança é que algumas atividades consideradas essenciais terão autorização permanente para funcionar nos feriados, sem precisar de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Entre elas estão farmácias, padarias, açougues, hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, agências de turismo, salões de beleza, lavanderias hospitalares, serviços funerários, feiras livres e outras atividades específicas ligadas ao comércio, aos serviços e ao turismo. Mas é importante destacar: a grande maioria do comércio continua sujeita à regra da Convenção Coletiva. Isso significa que supermercados, hipermercados, lojas de rua, lojas de shopping centers e diversos outros estabelecimentos não poderão exigir trabalho nos feriados sem que exista uma Convenção Coletiva negociada entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal. Essa regra não é uma novidade. Ela apenas reafirma o que já está previsto na Lei nº 10.101/2000 e foi restabelecido pela Portaria MTE nº 3.665/2023, que entrou em vigor em maio de 2026. O objetivo é garantir que o trabalho em feriados seja resultado de negociação coletiva, assegurando direitos, condições de trabalho e compensações para quem abre mão do descanso nesses dias. A proposta entregue ao ministro Luiz Marinho reconhece que algumas atividades realmente não podem ser interrompidas nos feriados, como farmácias, postos de combustíveis ou serviços funerários. Por isso, esses setores passam a ter autorização permanente de funcionamento. Já para os demais segmentos do comércio, a negociação coletiva continua sendo indispensável. Isso fortalece o papel dos sindicatos na defesa da categoria e impede que o trabalho em feriados seja imposto unilateralmente pelos empregadores. Na prática, a Convenção Coletiva é o instrumento que permite negociar garantias como pagamento diferenciado, folgas compensatórias, vale-alimentação, transporte, jornada e outras condições que protegem o trabalhador. A proposta agora está em análise jurídica no Ministério do Trabalho e Emprego. A expectativa é que a nova portaria seja assinada nos próximos dias, consolidando um entendimento construído por meio do diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo. Para os trabalhadores do comércio, a principal mensagem é clara: salvo nas atividades que receberão autorização permanente por serem consideradas essenciais, o trabalho nos feriados continua dependendo de negociação coletiva. Isso significa mais proteção aos direitos da categoria e reforça a importância da organização sindical para garantir condições justas de...19/06/2026
A 85ª Plenária Estadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Comércio e Serviços de Santa Catarina reuniu dirigentes sindicais de todo o estado nos dias 17 e 18 de junho, no Sesc Cacupé, em Florianópolis. Com o tema “Democracia é Vida. Democracia é Liberdade”, o encontro promoveu importantes debates sobre a conjuntura política e econômica, os desafios do mundo do trabalho e o cenário eleitoral que se desenha para os próximos anos. A abertura contou com a presença da deputada federal Ana Paula Lima, da presidenta da CUT-SC, Anna Júlia Rodrigues, do deputado estadual Neodi Saretta e dos pré-candidatos Paulo Eccel e Bia Vargas. De forma virtual, também participaram o diretor da CUT Nacional, Valeir Ertle, e o presidente da CONTRACS-CUT, Julimar Roberto, reforçando a unidade e o compromisso do movimento sindical com a defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora. Na sequência, o economista e assessor sindical da FECESC, Maurício Mulinari, apresentou uma análise da conjuntura nacional e internacional, destacando os desafios econômicos e políticos que impactam diretamente os trabalhadores e trabalhadoras. O pedagogo e sociólogo Luiz Azevedo abordou os impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho e seus reflexos nas eleições de 2026. No segundo dia de atividades, o ex-ministro do Trabalho Ricardo Berzoini trouxe uma reflexão sobre a importância das eleições para a democracia, a economia e a garantia dos direitos da classe trabalhadora. Já Fabiano Bittencourt, membro da Comissão de Prestação de Contas Eleitorais do CRCSC, analisou o cenário político catarinense e as perspectivas para a ampliação das representações legislativas. A supervisora técnica do DIEESE em Santa Catarina, Crystiane Peres, apresentou estudos sobre os benefícios da redução da jornada de trabalho e do avanço da escala 5×2, tema que segue no centro das reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras. Durante a plenária, também foi realizada a apreciação e aprovação do Balanço Financeiro da FECESC referente ao exercício de 2025. Marcada pela expressiva participação dos dirigentes sindicais, a 85ª Plenária consolidou-se como um espaço de formação, debate e fortalecimento da organização da categoria. Foram dois dias de troca de experiências, construção coletiva e reafirmação do compromisso da FECESC com a democracia, a valorização do trabalho e a luta permanente por mais direitos e melhores condições de vida para a classe trabalhadora. Confira aqui alguns dos momentos deste importante evento...15/06/2026
Por Francisco Alano, presidente da FECESC (este artigo foi originalmente publicado no portal de notícias da CONTRACS). A proposta do Senador Rogério Marinho, significa o golpe do século contra os trabalhadores. A PEC possibilita a negociação de acordo individual entre empregado e empregador, podendo o empregado optar entre o regime CLT ou a contratação de jornada de trabalho flexível com remuneração por hora trabalhada. Nós sabemos o “poder de barganha” que tem o empregado frente ao patrão, e portanto, já sabemos o resultado que vai dar. A proposta é um espelho da legislação empregada pelo empresariado americano na relação das empresas com seus trabalhadores. Na legislação americana, a jornada de trabalho é flexível e a remuneração é por hora trabalhada. O direito ao repouso semanal remunerado, férias, décimo terceiro salário, FGTS, escala de trabalho, jornada máxima de trabalho diária e semanal simplesmente não existem. Esta PEC tem exatamente este objetivo. É só uma questão de tempo. A institucionalização da pactuação individual de jornada flexível, com remuneração por hora trabalhada, converte o teto de jornada máxima de trabalho diária e semanal, em referência meramente formal. Qualquer dia da semana passa ter o mesmo valor, seja dia normal de trabalho, seja domingo ou feriado. Trabalhou ganhou, não trabalhou não ganha nada. Deixa de existir o pagamento da hora extra com remuneração superior ao da hora normal, pois não haverá limite de jornada de trabalho ou de horas trabalhadas. Os empresários querem transformar todos os trabalhadores, Independente de atividade ou categoria, em meros trabalhadores tipo sistema Uber ou Motoboy, sem jornada de trabalho pré-estabelecida, tendo o empregado que trabalhar a exaustão, para ter uma remuneração insignificante no final do mês. Se os empresários estivessem bem intencionados, não precisaria mais esta PEC, era só aplicar a legislação do trabalho intermitente. Com uma PEC parecendo despretensiosa e inocente, os empresários do nosso capitalismo selvagem, jogam por terra muitas lutas de anos do movimento sindical, pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala de trabalho de 6×1. As Confederações Nacional da Agricultura, do Comércio, da Indústria, do Transporte e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e em torno de 1.500 associações e sindicatos patronais de todas as categorias e de todos os estados do Brasil, que encabeçam o MOVIMENTO PRÓ-BRASIL, publicaram um manifesto nos principais jornais do Brasil, com o título “UMA CARTA PARA O BRASIL QUE ACORDA CEDO”, defendendo de forma enganosa de que esta PEC moderniza o trabalho, torna a jornada de trabalho flexível e estabelece que o brasileiro pode escolher o seu próprio caminho. O movimento sindical e os trabalhadores são chamados mais uma vez para combater este novo golpe que está a caminho contra a classe...28/05/2026
por Francisco Alano, presidente da FECESC Além do Capital: Como a precariedade, a informalidade e a exaustão impulsionam a urgência da campanha por uma vida com mais dignidade, descanso e lazer 1. Antes de adentrar no debate e considerações sobre as lutas atuais por salário justo e jornada mais humana de trabalho, vamos fazer um resgate bíblico, histórico e legal da jornada de trabalho de 8 horas diárias, do limite legal de 24 horas por dia e da divisão das 24 horas diárias em 3 períodos de 8 horas. Segundo relatos bíblicos constantes do Antigo testamento, Deus criou o mundo, o homem e a mulher num período de sete dias, sendo seis dias de trabalho e o sétimo de descanso. Assim se estabeleceu pelos relatos bíblicos, a criação da jornada semanal de trabalho de 7 dias. Ainda segundo a Bíblia, por um deslize comportamental de Adão e Eva, Deus os expulsou do paraíso e determinou que passassem a ganhar o seu sustento através do esforço de cada dia. Estava desta forma estabelecido a existência do trabalho humano. Verdade ou não, mito ou lenda, o certo é que bilhões de pessoas de inúmeras religiões no mundo todo, acreditam na teoria do criacionismo e portanto, que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. A discussão do ciclo diário de 24 horas, começou com os egípcios há cerca de 2.400 anos antes de Cristo, observando o movimento das sombras pela projeção do sol e pelo movimento das estrelas. Fracionaram o período de luz e o período de trevas em 12 espaços cada, com uma 1 hora por cada um destes espaços. A humanidade cresceu, seja pelo evolucionismo ou pelo criacionismo e passou a ocupar inúmeras regiões no mundo, criando pelas mais diversas formas, condições para sobreviver e acumular riquezas. A mais conhecida forma de enriquecimento da humanidade foi o da exploração do homem pelo homem. Milhões foram escravizados, outros milhões passaram, na condição de servos, a ser explorados pelos senhores feudais. Com o início da revolução industrial, o capitalismo passou a exercer outras formas degradante de exploração, exigindo trabalho de até 16 horas diárias de homens, mulheres e até de crianças de 8 anos de idade. Inevitavelmente, os trabalhadores tiveram que se organizar para buscar direitos para sobreviverem minimamente com um pouco de dignidade. Para minorar o sofrimento das longas jornadas de trabalho, os trabalhadores passaram a construir propostas de períodos de trabalho, períodos de descanso e períodos de lazer. Este debate passou a evoluir, quando o industrial reformista Robert Owen, do país de Galês, criou o Slogan “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de descanso”. A Organização Internacional do Trabalho oficializou esse limite, padronizando para...28/05/2026
A FECESC recebe com profunda tristeza a notícia do falecimento de Geralda Godinho de Sales, histórica liderança sindical e Secretária-Geral do Sindicato dos Empregados no Comércio do Distrito Federal (Sindicom-DF), que enfrentou com bravura a luta contra o câncer. Mulher de luta e firme compromisso com a classe trabalhadora, Geralda construiu uma trajetória marcada pela dedicação, pela solidariedade e pela defesa incansável dos direitos dos comerciários e comerciárias. Sua contribuição permanecerá viva na história do movimento sindical e na lembrança de todos que conviveram com sua militância. Neste momento de despedida, a FECESC expressa sua solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de caminhada, desejando força e acolhimento para enfrentar essa perda irreparável....14/05/2026
A escala 6×1 é uma das piores heranças do mundo do trabalho no Brasil: seis dias trabalhando pra descansar um. São 1,25 milhão de catarinenses vivendo assim, sem tempo pra família, pra saúde, pra vida. Um estudo da consultoria Germinal aponta que o fim dessa escala pode gerar 64 mil novos empregos em Santa Catarina, com ganhos concentrados pra quem ganha menos. Na quinta-feira, dia 21 de maio, às 19h, a Alesc realiza a audiência pública pelo fim da escala 6×1, por requerimento do deputado Marquito em conjunto com a Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6×1 Vida Digna ao Trabalhador, do Congresso Nacional. A audiência conta com a presença do deputado federal Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial na Câmara dos Deputados, e foi aprovada a partir de requerimento do deputado federal Pedro Uczai. É o espaço pra debater no legislativo estadual, ouvir quem vive essa realidade todo dia e somar pressão pela aprovação no Congresso, que deve votar a pauta ainda esse mês. Vamos juntos! Essa audiência é uma construção conjunta com: Assembleia Legislativa de Santa Catarina Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6×1 Vida Digna ao Trabalhador do Congresso Nacional Deputado Estadual Marquito Deputado Federal Alencar Santana Deputada Federal Ana Paula Lima Deputado Federal Pedro Uczai Deputado Estadual Fabiano da Luz Deputada Estadual Luciane Carminatti Deputado Estadual Neodi Saretta Deputado Estadual Padre Pedro Baldissera Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) Central Única dos Trabalhadores (CUT) Intersindical Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) União Geral dos Trabalhadores (UGT) Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) Movimento Vida Além do Trabalho...11/05/2026
As assembleias para retirada de pauta da campanha salarial já começaram, e a categoria está dando um passo importante na luta por mais qualidade de vida e valorização do trabalho. No Sindicato dos Comerciários de Joaçaba, duas novas cláusulas foram incluídas nas reivindicações: ✔ Fim do trabalho no comércio em geral, inclusive supermercados, aos domingos ✔ Implementação da escala 5×2, avançando no debate sobre o fim da escala 6×1 O tema já vem ganhando força também no debate público. Na última semana, diretores do sindicato participaram de debates nas principais rádios de Joaçaba e Herval d’Oeste, defendendo a necessidade urgente de reduzir a sobrecarga da classe trabalhadora e garantir mais tempo de descanso, convivência familiar e dignidade. Diante do argumento patronal de que “agora não é o momento” para essa discussão, a resposta foi direta: a luta pela redução da jornada não começou agora. Esse debate já está no Congresso há 16 anos e segue sem avanço. É com mobilização, unidade e participação da categoria que vamos avançar. O fim da escala 6×1 é uma luta de todos...09/05/2026
Maternidade e trabalho caminham juntos na força da mulher trabalhadora. Mas esse “dom de cuidar” não é invisível – é trabalho, é dedicação e merece respeito, salário digno e tempo para os filhos. A mão que atende é a mesma mão que luta! Feliz Dia das Mães a todas as trabalhadoras que movem o...06/05/2026
Segundo TST, dirigentes estimularam empresários com frases como a de que o Brasil iria “virar uma Venezuela” e de que “os empregos iriam acabar”. Caso ocorreu em Caçador, no Oeste, antes do segundo turno em 2022 Três entidades empresariais de Caçador, no Oeste de Santa Catarina, foram condenadas pelo Tribunal Superior do Trabalho a pagar R$ 600 mil por dano moral coletivo em um caso de assédio eleitoral durante as eleições de 2022. A decisão foi divulgada nesta semana e atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho. Segundo o processo, representantes das associações participaram de uma reunião realizada às vésperas do segundo turno presidencial, na qual empresários foram incentivados a disseminar “discursos de medo” dentro das empresas para influenciar o voto dos trabalhadores. De acordo com a denúncia do MPT, o encontro reuniu dirigentes empresariais, vereadores, empresários, lideranças políticas e o comandante local da Polícia Militar. Durante a reunião, teriam sido defendidas estratégias para pressionar funcionários a votar no então candidato à reeleição Jair Bolsonaro. Entre as falas registradas na gravação do encontro — anexada ao processo pelas próprias entidades — estavam afirmações de que o país “viraria uma Venezuela” e de que empregos poderiam acabar caso o então candidato da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva, vencesse a eleição. Segundo o MPT, a orientação apresentada aos empresários consistia em criar um cenário de medo, associando uma eventual vitória da oposição a “fome” e “anarquia”, além de responsabilizar os próprios trabalhadores pelas consequências econômicas caso não seguissem a orientação política dos empregadores. As entidades reconheceram a realização da reunião, mas argumentaram que o encontro ocorreu fora do ambiente de trabalho e que os discursos estavam protegidos pela liberdade de expressão e de reunião. Em primeira e segunda instâncias, a Justiça do Trabalho havia entendido que não houve ameaça direta, coação ou constrangimento aos trabalhadores. O caso, porém, foi revertido no TST. Relator do recurso, o ministro Cláudio Brandão avaliou que houve prática “abusiva, intencional e ilegal”, com objetivo de manipular o voto dos empregados e provocar constrangimento político. Na decisão, o ministro afirmou que a conduta viola direitos fundamentais, como a liberdade política, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político. Para ele, o assédio eleitoral ultrapassa os trabalhadores diretamente atingidos e compromete a própria disputa democrática. O magistrado também destacou que o uso da estrutura empresarial para influenciar eleições é considerado ilícito trabalhista e abuso de poder econômico, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral. A indenização fixada pelo tribunal será dividida entre as três associações e seus respectivos presidentes, com R$ 100 mil para cada um. O valor será destinado a entidades públicas ou organizações sociais indicadas pelo MPT. Na decisão, o...Siga-nos
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